Internacional16 Novembro 2018 . Leitura - 12min

Portugueses à conquista da Europa

O dia 6 de Novembro ficou marcado pelo regresso da Taça Challenge. Uma competição internacional organizada pela Confederação Europeia de Voleibol (CEV) que reuniu 42 países onde, entre eles, figuram 6 equipas portuguesas (4 masculinas e 2 femininas).

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O arranque parece estar a correr de feição para os portugueses que continuam com uma forte presença nesta que é a terceira competição mais importante do voleibol a nível europeu.

Apesar de nunca ter vencido a competição, o Benfica segue com um histórico feliz, depois de conseguir chegar à final em 2015 e à meia-final em 2016. A equipa da Luz foi a primeira a abrir o caminho português pela Europa.

A dupla vitória por 3-0 frente aos cipriotas do Pafiakos Pafos permitiu à equipa de Marcel Matz carimbar a passagem para os 16 avos-de-final da prova, onde irão encontrar os gregos do Iraklis.

Para o treinador das águias “a equipa tem-se mostrado bem coesa nos jogos, mantendo números de eficiência interessantes”.

O técnico encarnado não escondeu que pretende “vencer todas as competições, mesmo sabendo da dificuldade de cada uma delas”. Neste momento encontra-se a “trabalhar sobre a equipa grega”, mas não esquece que tem “4 jogos para o campeonato português” antes de enfrentar a turma da Grécia.

“É uma prova de bom nível e que exige bastante da equipa, por isso a Challenge Cup torna-se também importante para nós”, referiu.

benfica_paulofaria(Foto: Paulo Faria)

 

A grande surpresa chegou diretamente das Caldas da Rainha com a formação de Frederico Casimiro a derrotar os suíços do Chênois Genève na sua estreia nas competições internacionais.

“Estarmos apurados é algo que sabíamos que era possível mas que seria muito difícil e foi fantástico saber que fizemos história no Voleibol Caldense”, confessou Frederico.

Depois do triunfo em casa por 3-1, os caldenses deslocaram-se à Suiça onde perderam por 3-0, um resultado que levou a decisão para o Golden Set (desempate).

Os leões das Caldas não facilitaram e conquistaram o passaporte para os 16 avos-de-final ao vencerem por 16-14, num set onde “o querer, a dedicação e a experiência” dos atletas “fizeram a diferença na reta final”, frisou.

Com um longo caminho ainda a percorrer, Frederico Casimiro analisa de forma positiva o percurso da sua equipa pela Taça Challenge.

Com o apuramento para a próxima fase, o técnico não escondeu a importância da “visibilidade proporcionada por esta competição” para conseguir recrutar mais apoios financeiros que se revelam essenciais para a reestruturação do plantel que sofreu muitas alterações relativamente à época transata.

“A nossa cidade não tem um tecido empresarial muito vasto e disponível para apoiar mais o desporto, principalmente ao nível das modalidades ditas amadoras. Temos alguns apoios e parcerias que nos vão ajudando, para além da autarquia, mas o nosso orçamento acaba por ser muito curto, o que não nos permite, por vezes, ter planteis mais vastos e equilibrados”, explicou.

Ciente das “limitações”, a vontade de “tentar ir o mais longe possível” é grande, mas o treinador dos leões sublinhou a importância de não “descurar o principal objetivo que é a melhor classificação possível no Campeonato Nacional”.

No caminho dos caldenses estão agora os holandeses do Draisma Dynamo que já venceram a competição em 2010.

“Da nossa parte, apenas podemos prometer que deixaremos tudo em campo e que iremos dar o nosso melhor acreditando sempre na possibilidade da passagem”, prometeu Frederico Casimiro.

 

sccaldas_facebook(Foto: Facebook SC Caldas)

 

24 anos depois o Sporting voltou a dar que falar. Com o reaparecimento na modalidade, os leões não só se sagraram campeões nacionais como estão também de regresso às competições internacionais.

Hugo Silva não tem dúvidas de que o “Sporting veio mexer com o voleibol português” e quer agora “deixar a sua marca lá fora”.

Uma vontade que se encontra no rumo certo depois dos atuais campeões nacionais carimbarem duas vitórias por 3-0 frente aos luxemburgueses do VC Fentange.

Balanço positivo do técnico leonino que alertou ainda para um “nível muito alto” de algumas equipas que participam nesta competição, dando o exemplo do seu próximo adversário – Stroitel Minsk - que é “quase na sua totalidade a seleção da Bielorrússia”.

Um “desafio difícil” que irá colocar os leões à prova.

“Temos o dever de lutar por todas as competições e, ao mesmo tempo, todos os olhos estão virados para nós. O que faz com que o nível de exigência seja mais alto e de duras lutas, mais do que para qualquer outra equipa”, concluiu.

 

sporting_paulofaria(Foto: Paulo Faria)

 

O percurso de Portugal pela Europa só viria a ficar completo com a participação das equipas femininas que ainda tinham uma marca a deixar em campo.

Sem grande sucesso nos anos anteriores o AVC Famalicão bateu o pé ao seu adversário mudando o rumo do clube nesta competição depois de vencer os dois jogos agendados com as espanholas do Haris Tenerife por 3-0.

“Nós vencemos indiscutivelmente, uma equipa composta por quatro atletas que representam a seleção espanhola, uma atleta que representa a seleção portuguesa, e ainda dispõe de 3 atletas estrangeiras. Um plantel quase 100% profissional, com um orçamento bem superior ao nosso, com uma massa humana muito grande a trabalhar à volta da equipa, com boas condições de trabalho”, afirmou o treinador das famalicenses Rui Moreira.

Em entrevista à Volei TV, o técnico mostrou-se confiante e nada amedrontado com o nível do voleibol internacional começando por confessar que “um dos objetivos propostos muito antes sequer de saber que adversário iria defrontar nesta primeira ronda da prova, foi ultrapassar esta primeira fase”.

“O clube já participava na prova há alguns anos, mas sempre sem obter qualquer vitória e sem sequer ter como objetivo ultrapassar as eliminatórias, mas simplesmente com o prepósito da participação como forma de prémio para as atletas”, revelou o treinador confessando ainda a necessidade que teve de mudar a mentalidade do clube “no que toca à abordagem das competições”.

Com o objetivo inicial para as competições europeias atingido, o treinador mostrou-se confiante da capacidade das suas jogadoras, acreditando que “daqui para a frente, como em todos os jogos, a equipa vai querer ganhar e preparar-se para isso”.

“Estas atletas já entraram na história do clube, isso já ninguém lhes tira, agora vamos até onde quisermos ir, porque o trabalho traz sempre frutos”, esclarece o técnico.

Como diria o poeta espanhol António Machado, ‘o caminho faz-se caminhando’ e, por isso, quanto ao seu próximo adversário, Rui Moreira espera “uma equipa altamente profissional, super bem preparada, com grandes atletas e um coletivo forte”. Um jogo que será preparado na devida altura com “todo o afinco”.

“Nós não vamos entrar em campo nenhum a rebaixarmo-nos perante qualquer adversário que seja. Se eles forem melhores, ou se não forem, mas ainda assim vencerem, cá estaremos nós para os parabenizar por isso”, conclui.

 

avc_paulofaria(Foto: Paulo Faria)

A mesma sorte não teve o Clube K que viu o sonho europeu escapar-lhe das mãos na sua deslocação à Bélgica.

Numa reedição da 1ª eliminatória da Challenge Cup 2018, as açorianas voltaram a defrontar as belgas que se “apresentaram mais estruturadas e reforçadas e com um melhor nível que a época passada”, observou Paulo Barreto ao acrescentar que a sua formação “demonstrou em alguns momentos que poderia discutir o jogo”.

“Fica um sentimento que poderíamos discutir melhor a eliminatória e até seguir adiante”, confessou.

Recordo que, na época passada, as belgas do Hermes Oostende saíram vitoriosas ao vencer em casa por 3-1 e em Ponta Delgada por 3-2. Um feito que voltaram a repetir, mas desta vez sem dar hipóteses às micaelenses que se viram afastadas da competição ao serem derrotadas por 3-0 nos dois encontros.

Ainda em Bruxelas, Paulo Barreto preparava-se para voltar aos Açores e, na sua bagagem, trazia a certeza de que esta foi uma “participação positiva”.

 

clubek_joaquimteixeira(Foto: Joaquim Teixeira)

 

A grande final da Taça Challenge esta agendada para Março de 2019.

O SC Espinho é, até ao momento, a única equipa que conseguiu trazer o troféu para Portugal. Na altura denominada Taça dos Clubes de Topo, os tigres conquistaram a vitória na época de 2000/2001 e chegou à final no ano seguinte sagrando-se vice-campeão europeu.

 

 

 

 

Resultados:

 

Masculinos

1ª Mão

06-11-2018 -> SL Benfica vs Pafiakos Pafos (3-0: 25-16, 25-20, 25-15)

07-11-2018 -> SC Caldas vs Chênois Geneve (3-1: 28-26, 25-20, 22-25, 27-25)

07-11-2018 -> Sporting CP vs VC Fentange (3-0: 25-23, 25-20, 25-19)

 

2ª Mão

14-11-2018 -> VC Fentange vs Sporting CP (0-3: 12-25, 15-25, 12-25)

14-11-2018 -> Pafiakos Pafos vs SL Benfica (0-3: 20-25, 20-25, 15-25)

14-11-2018 -> Chênois Geneve vs SC Caldas (3-0: 30-28, 25-23, 25-21)*

*SC Caldas venceu os suiços no Golden Set por 16-14

 

 

Femininos

1ª Mão

07-11-2018 -> Clube Kairós vs Hermes Oostende (0-3: 22-25, 18-25, 15-25)

08-11-2018 -> AVC Famalicão vs CV Haris La laguna Tenerife (3-0: 25-21, 25-21, 25-15)

 

2ª Mão

14-11-2018 -> CV Haris La Laguna Tenerife vs AVC Famalicão (0-3: 17-25, 20-25, 13-25)

14-11-2018 -> Hermes Oostende vs Clube Kairós (3-0: 25-23, 25-18, 25-21)

 

 

Próximos jogos (16 avos-de-final):

 

1ª Mão

27-11-2018 -> Sporting CP vs Stroitel Minsk

28-11-2018 -> SL Benfica vs Iraklis Petosferisi 2015

29-11-2018 -> AJ Fonte Bastardo vs Volejbal Brno

29-11-2018 -> AVC Famalicão vs Ladies in Black Aachen

Sem data ainda -> SC Caldas vs Draisma Dynamo Apeldoorn

 

2ª Mão

05-12-2018 -> Iraklis Petosferisi 2015 vs SL Benfica

05-12-2018 -> Stroitel Minsk vs Sporting CP

05-12-2018 -> Ladies in Black Aachen vs AVC Famalicão

06-12-2018 -> Draisma Dynamo Apeldoorn vs SC Caldas

06-12-2018 -> Volejbal Brno vs AJ Fonte Bastardo

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